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A nossa Pátria é nosso destino



Edgard Leite Ferreira Neto


As jornadas dos nossos ancestrais são, geralmente, desconhecidas. O deslocamento deles pelo espaço e pelo tempo acabou nos colocando aqui, neste local e neste momento. Este local é o Brasil.


Não é um país fácil, mas nenhum o é. De forma diferente de outros, é um país recente. Está em construção, ainda. Não é um país pobre. Ao contrário, é muito rico. Mas sua população ainda é pequena, para todo seu território. As possibilidades, nele, portanto, são infinitas.


Embora possamos dizer que é uma país de expressiva leniência moral, por razões há muito observadas, é também um país de muitas ansiedades espirituais. Um dos mais religiosos do mundo, na verdade. Se a falta de instituições morais consolidadas explica seus desatinos políticos e sociais (e também econômicos e financeiros), por outro lado deve ser observado que têm, os brasileiros, tanto a necessidade quanto a possibilidade e a capacidade de construir tais instituições.


Tudo aqui é novo. E os nossos ancestrais, de diferentes maneiras, foram inseridos em seu processo de construção. Sempre premidos pelas circunstâncias de suas origens e de sua vinda para cá. E tais circunstâncias são inexplicáveis.


Pode-se entender como os índios foram absorvidos e assimilados, na base da sociedade. Mas não porque esses índios, e não outros, estavam aqui vivendo em 1500. Em geral se historia como os portugueses, nossos pais, atravessaram o Oceano Atlântico, mas não porque alguns conseguiram chegar aqui, e outros não. Pode-se explicar o tráfico negreiro, é claro. Mas não a razão da vinda deste africano em detrimento daquele. Pode-se entender a crise da Alemanha, do Japão, do leste europeu, e da Itália no século XIX. Mas não porque alguns vieram para o Brasil, e outros para os Estados Unidos.


A junção de nossos ancestrais foi um desafio posto, a eles, pelas circunstâncias. Circunstâncias únicas, pois é difícil equiparar a história do Brasil com outras histórias. A história do Brasil é tão singular e o nosso país é tão particular que o perfil enigmático de sua realidade muitas vezes levou alguns a considerá-lo um gigante adormecido e o nosso hino assim o caracteriza em algum momento. O enigma do Brasil é a herança que temos hoje e a teremos sempre.


O destino e a sutil rede de acasos que trouxeram nossos ancestrais para cá, determinou que aqui estivéssemos. Assim, podemos dizer que o Brasil é o nosso destino. E como nós, que aqui estamos, vivemos a vida construindo aquilo que nossas circunstâncias e nossas decisões permitem, também no nosso país assim agimos. Erigindo-o aos poucos, ao longo das gerações, aprimorando os elementos que possam viabilizá-lo.


No egoísmo natural de nossa formação muitos acham que a ele não nos devemos dedicar. Há outros países prontos. Mas nossos ancestrais não nos colocaram neles, e sim aqui. E essa realidade nos define. Por que renunciaríamos a ela?


É difícil viver no Brasil? Para algumas coisas sim, para outras não. Mas quando começamos a vida, tudo é difícil. O Brasil, gigante monstruoso, adormecido e de difícil administração, é o mais difícil dos países. Pois não há um modelo para ele. Somos aqui construtores. Artífices de uma sociedade singular.


Somos um povo de profunda espiritualidade e de gigantesca prudência. De grande pluralidade e tolerância. E a estabilidade de nosso clima e a fertilidade de nossa terra, é, sem dúvida, promessa evidente de realização. Já somos, hoje, um dos celeiros do mundo.


Os nossos descendentes certamente reconhecerão nossos esforços, quando o Brasil for se realizando, com o tempo. Pois o bem sempre vence. E todos aqueles que pensaram nossa realidade, do Padre Antônio Vieira a José Bonifácio, sempre nos viram emergindo como a terra do bem e do amor. Cuidar e zelar pelo Brasil é nosso destino. E crer na realização de sua beleza um objetivo justo e correto.



Ver aqui outros textos de Edgard Leite no blog do Instituto Realitas

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