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O exercício da vontade



Edgard Leite Ferreira Neto


Uma grande ilusão é acreditar que se pode controlar politicamente as forças que atuam em sociedade, ou melhor, as forças que agem na consciência humana. Os pensamentos são incontroláveis e os atos, uma vez tomadas decisões de transformar a intenção em evento, também o são.


Uma estrutura política eficiente pode, de fato, criar vários impedimentos a essas tomadas de decisão. Mas não pode impedir que o evento seja realizado se o Homem de fato se mover e agir. E isso funciona tanto para o bem quanto para o mal.


Por isso a história é uma sucessão contínua de ordenamentos institucionais, legais e políticos e buscas infindáveis de consensos, porque o desafio posto pela necessidade de exercer a vontade não termina nunca. E este tanto pode ser construtor quanto destruidor da existência da sociedade.


É evidente que uma sociedade moralmente leniente tem mais dificuldades que outras, mais contidas do ponto de vista moral, em estabelecer limites para tal movimento. Mas todas, absolutamente todas, são incapazes de impedir esse fluxo de desejos que vem de todos os lados da consciência e de todos os níveis da sociedade.


Apenas a consciência individual é capaz de estabelecer os limites, se assim entender, para as vontades. Mas, para isso, não existe poder na terra que possa instalar na mente humana algo que só o ser é capaz de realizar. Uma sociedade moralista, focada em valores profundos e eternos, nada pode fazer se o individuo, por si só, pelo seu discernimento, não alcançar a compreensão de que determinadas vontades são destruidoras de sua alma.


Uma sociedade imoral, ou amoral, pode estimular os desejos mais absurdos, mas o ser, pelo seu entendimento, pode recusá-los. A questão está, é claro, não apenas na necessária conspiração da sociedade pela boa conduta. Mas também na disposição individual de seguir o caminho do equilíbrio, da sabedoria, que só pode ser um caminho de redenção.


A tradição bíblica é, de todas as tradições religiosas, e assim o mostra a difusão universal do cristianismo e o próprio calendário do mundo, aquela que permite a conexão mais profunda entre o discernimento e a verdade e que fornece a mais sólida solução para o exercício do desejo no tempo, pois faz repousar sob Deus, sob a eternidade, o destino da alma humana.

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