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A loucura dos sábios



Edgard Leite Ferreira Neto


O Iluminismo despertou muitas ilusões. Ilusões tão profundas que se tornaram loucuras. O conhecimento abre o mundo e nos permite controlá-lo. Mas esse controle não é absoluto, nem geral. É apenas parcial, específico e, pelo que parece hoje ser regra dominante, absurdamente parcial e específico. Todo o resto do mundo, não abarcado por essa inteligência, todo o universo até onde os telescópios conseguem alcançar, é absolutamente desconhecido e incontrolável. E totalmente misterioso e imprevisível. O pensamento iluminista pára diante do limite (ou da morte) como se esse não existisse. E se torna louco, ao dizer que tudo controla e administra.


Isso não é um problema para o ser humano tomado de bom senso, que percebe quão ilusórios são os valores iluministas, quão pretensiosos seus objetivos, quão frágeis suas construções mentais, quão enlouquecida sua arquitetura política. Neste mundo, parcamente conhecido, só podemos, de fato, perceber a sua transitoriedade, o sofrimento nele contido ou a angústia e o vazio que emergem quando a ele nos entregamos.


No nosso tempo se observa a grandeza destruidora da arrogância humana, potencializada como nunca tinha sido antes. Desde as revoluções do século XVIII-XIX, o pensamento ilustrado, dos filósofos otimistas e seus continuadores, prometeu liberdade, igualdade e fraternidade. Mas só tivemos opressões, desigualdades e ódios infinitos e incontroláveis. Nada surpreendentes, aliás, na medida em que se abdicou das fontes eternas e sobrenaturais da ética e da moral.


Nenhum acontecimento, na história anterior, pode ser comparável, por exemplo, a esse grande feito iluminista, sua obra prima: a II Guerra Mundial. Nesta, diversos processos tiveram sua culminância: o poder exorbitante do Estado laico, o império das paixões nacionais, o desprezo por Deus e pela salvação das almas, a aceitação cega das mais incríveis razões ditas científicas. Bem como os tremendos despotismos, desequilíbrios e fúrias próprios da tradição iluminista. No entanto, assim parece, a Guerra foi apenas o ensaio geral de loucuras ainda maiores, no futuro.


Por isso a alma sensível, que busca a verdade, retorna a Paulo e o escuta, e se dá conta que as questões de hoje são velhas questões humanas:


"Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação. Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana”(1Cor 1,19-25)


O que diz Paulo é que somente na loucura de Deus, na conversão, no estar com Ele, encontramos o antídoto suficiente para a loucura dos sábios neste mundo.



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