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Escravizar seres humanos é uma ação perversa e horrível



Edgard Leite Ferreira Neto


Nas inumeráveis inversões de valores, que caracterizam o nosso tempo, uma das mais cruéis é a que transforma criminosos em heróis. E, dentro deste tipo de inversão, a que entende traficantes de drogas mortos como mártires. Ora, a droga é, além de elemento destruidor da saúde física e mental, um instrumento de escravização. Como todo vício, ata o ser a algo mais poderoso que a sua capacidade de escolha, isto é, limita sua liberdade. Por isso o culto das drogas é a estranha adoração do próprio cativeiro.


As pessoas que viabilizam esse processo não apenas violam a lei. Também batalham pela submissão das consciências a um sistema de dominação amplo, vasto, e que hoje se espalha pelo mundo inteiro. Sua realidade é a escravização de multidões, em diferentes graus de destruição existencial e física.


Desgraças morais inumeráveis gravitam nessa nova escravidão. Esta é ainda mais cruel que a escravidão dos corpos, porque se estende, sem limite, pelo outrora intocado espaço das consciências. Para um escravo, cujo corpo era propriedade de outro humano, ser livre no pensamento era o principal elemento que propiciava a esperança de sua liberdade física ou a realização da sua emancipação spiritual. Para os modernos escravos, o colapso de sua liberdade de escolha tende a inviabilizar o próprio sentimento da esperança.


De que causa moral poderia ser um traficante o mártir? O maior dos bens que pode possuir um homem é a sua liberdade de escolha, e é bom, e certo, ser livre. Como um traficante de escravos pode ser entendido como mártir de uma causa boa e certa? Se é mártir de algo, somente o pode ser de uma causa odiosa, que busca a opressão do indivíduo e a destruição do ser humano. E não pode, portanto, ser considerado mártir, porque a destruição do ser não é causa moral legítima.


A causa da liberdade é causa do humano. E ela, principalmente por ser boa, deve triunfar sobre o mal. Aqueles que praticam o mal estarão, sempre, expostos às inumeráveis reações que o ser exterioriza para fazer valer sua essência e sua escolha pelo bem.


Abraão nunca quis defender os habitantes perversos de Sodoma e Gomorra, mas apenas os justos que viviam naquelas cidades. Pois sabia bem que o mal é intolerável à boa obra de Deus. Defender os pecadores sequer era viável, na verdade, pois o movimento de reagir ao mal, é, por parte de Deus e do mundo, também natural. E escravizar seres humanos é uma ação perversa e horrível. Sempre foi.

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